Os tsunamis mais mortais e os maiores da história
Não é a altura da onda que mata. O que mata é até onde a água avança terra adentro, quantas pessoas vivem no caminho dela e quantos minutos de aviso elas têm. Por isso os tsunamis mais mortais e os maiores formam duas listas diferentes.
O tsunami mais mortal já registrado, no oceano Índico em 2004, subiu cerca de 51 m no seu ponto mais extremo. O mais alto já medido, num fiorde do Alasca em 1958, chegou dez vezes mais alto e matou duas pessoas na baía. Lado a lado, as duas listas explicam quase tudo o que importa sobre tsunamis.
O que é um tsunami e o que o provoca?
Um tsunami é uma série de ondas causada pelo deslocamento grande e repentino de um volume de água. Não tem nada a ver com marés, apesar do que sugere o antigo nome em inglês, "tidal wave" (onda de maré). Uma onda de vento agita só a superfície do mar; um tsunami move a coluna de água inteira, até o fundo.
- Terremotos causam a maioria dos tsunamis. Numa zona de subducção, quando a falha travada escorrega, o fundo do mar salta ou afunda vários metros numa área com centenas de quilômetros de extensão. A superfície do mar acompanha, e a gravidade espalha essa elevação para fora em forma de ondas.
- Deslizamentos em fiordes ou por encostas submarinas produzem as ondas mais altas, mas elas perdem energia depressa e ficam restritas ao local.
- Vulcões provocam tsunamis quando desabam, quando fluxos piroclásticos entram no mar ou pela própria explosão: Krakatoa em 1883, Hunga Tonga em 2022.
- Tempo e impactos: saltos bruscos de pressão em tempestades geram pequenos "meteotsunamis"; um asteroide caindo no oceano também geraria um (veja tamanhos de meteoros).
Nem todo grande terremoto gera um grande tsunami. A falha precisa ser rasa, estar sob o mar ou perto dele e mover o fundo na vertical. Um tremor que desloca o solo para os lados em geral produz só uma onda pequena. Mais sobre magnitudes em os terremotos mais fortes já registrados.
Os tsunamis mais mortais da história
A classificação usa as mortes atribuídas ao tsunami no banco de dados global de tsunamis da NOAA; os números antigos são estimativas.
Dois números famosos ficaram de fora. Um "tsunami do estreito de Taiwan" de 1782, com 40 000 mortos, sobrevive em catálogos antigos, mas o NCEI o classifica como duvidoso: nenhum registro chinês o menciona. E Messina 1908, com cerca de 80 000 mortos, pertence a uma lista de terremotos: seu tsunami de 12 m matou, segundo as estimativas, de 1 500 a 2 000 dessas pessoas.
O que a lista tem em comum não é a altura das ondas. É litoral densamente povoado, minutos em vez de horas entre o tremor e a chegada da água e, na maioria dos casos, nenhum aviso.
O tsunami de 2004 no oceano Índico (tsunami do Boxing Day)
Às 7h58 da manhã de 26 de dezembro de 2004, hora local, um terremoto de magnitude 9,1 rompeu de 1 200 a 1 300 km da fronteira de placas entre o norte de Sumatra e as ilhas Andamão. As ondas atingiram Aceh em cerca de 20 minutos e a costa da Somália sete horas depois. O run-up chegou a 50,9 m em Aceh.
Quantas pessoas morreram no tsunami de 2004? O banco de dados da NOAA registra 227 899 mortos ou desaparecidos: cerca de 167 500 na Indonésia, 35 300 no Sri Lanka, 16 300 na Índia, 8 200 na Tailândia, 289 na Somália e mais vítimas em uma dúzia de outros países. Cerca de 1,7 milhão de pessoas ficaram desabrigadas.
Na Tailândia as ondas tinham de 3 a 5 m na região de Phuket. Cerca de 8 200 pessoas morreram ou desapareceram, muitas delas turistas estrangeiros; Khao Lak foi o lugar mais atingido. Na praia de Mai Khao, uma menina britânica de dez anos, Tilly Smith, reconheceu o recuo do mar de uma aula de geografia, e a praia foi esvaziada a tempo.
A ilha de Simeulue, perto do epicentro, mantinha viva a memória de um tsunami de 1907 numa história chamada smong: quando o chão tremer forte e o mar recuar, corra para os morros. De cerca de 78 000 habitantes, sete morreram. O oceano Índico não tinha sistema de alerta em 2004; um serviço provisório começou em 2005, e desde 2011 centros regionais na Austrália, na Índia e na Indonésia emitem os avisos.
Lance um tsunami de 30 m sobre Banda Aceh →Japão 2011: o tsunami de Tōhoku
Em 11 de março de 2011, um terremoto de magnitude 9,0 a 9,1 rompeu a fronteira de placas ao largo do nordeste do Japão. O país tinha diques, treinamentos e um dos melhores sistemas de alerta do mundo, e mesmo assim perdeu 15 901 pessoas, com outras 2 519 nunca encontradas. Entre as vítimas examinadas nas três prefeituras mais atingidas, 92% morreram afogadas e quase dois terços tinham 60 anos ou mais.
O run-up chegou a cerca de 40 m na costa de Iwate. Na planície de Sendai, que é plana, a água avançou mais de 5 km terra adentro, e 561 km² do Japão ficaram submersos. O tsunami também derrubou o sistema de resfriamento da usina nuclear de Fukushima Daiichi.
Muitos diques, projetados para tsunamis menores, foram simplesmente ultrapassados pela água. O que salvou vidas foi sair na hora e subir.
Veja até onde uma onda de 15 m inunda a planície de Sendai →Lisboa, Krakatoa e outros tsunamis históricos
Lisboa, 1º de novembro de 1755. O terremoto, estimado em magnitude 8,5 ou mais, aconteceu no Dia de Todos os Santos, com as igrejas cheias. Os sobreviventes correram para a orla aberta, e foi lá que o tsunami os encontrou; na costa do Algarve, as ondas passaram localmente de 30 m. As estimativas do total de mortos vão de dezenas de milhares a cerca de 100 000 entre Portugal, Espanha e Marrocos.
Mande uma onda de 15 m contra Lisboa →Krakatoa, 27 de agosto de 1883. A erupção lançou ondas de 30 a 40 m sobre o estreito de Sunda e destruiu mais de 250 vilarejos. A NOAA atribui 34 417 das cerca de 36 400 mortes à água, não à erupção (veja as maiores erupções vulcânicas).
Sanriku, Japão, 15 de junho de 1896. O tremor foi fraco e os vilarejos comemoravam um feriado; em meia hora, ondas de até 38 m mataram cerca de 27 000 pessoas. Foi um "terremoto de tsunami", uma ruptura lenta que sacode de leve mas levanta muito fundo marinho. É por isso que a recomendação é deixar a costa depois de qualquer tremor longo, mesmo suave.
Kamchatka e Curilas, 4 e 5 de novembro de 1952. Um terremoto de magnitude 9,0 lançou ondas sobre 700 km de costa soviética em 30 a 40 minutos. Em Severo-Kurilsk, quem escapou da primeira onda desceu de volta e foi pego pela segunda, mais forte. O número oficial de mortos foi 2 336; estimativas posteriores chegam a 4 000–14 000, e o desastre ficou em segredo até os anos 1990.
Chile, 22 de maio de 1960. O terremoto mais forte já registrado, M9,5, matou de 1 000 a 2 000 pessoas no Chile, a maioria pelo tsunami. As ondas então cruzaram o Pacífico e mataram 61 pessoas em Hilo, no Havaí, 15 horas depois, e cerca de 140 no Japão.
Os maiores tsunamis já registrados
"Maior" em geral quer dizer run-up: a altura, acima do nível normal do mar, do ponto mais alto que a água alcança em terra. Por esse critério, a classificação muda por completo, e a maioria dos primeiros colocados não matou ninguém.
Os sete primeiros foram todos deslizamentos em águas confinadas: um fiorde, um lago, uma represa. São os megatsunamis, termo informal que costuma designar run-up de 100 m ou mais. O mais mortal deles, Vajont, matou cerca de 2 000 pessoas quando a onda passou por cima de uma barragem de 262 m e destruiu a cidade de Longarone, logo abaixo.
Tsunamis de terremoto raramente sobem mais de 40 a 50 m, mas movem uma quantidade imensamente maior de água, atravessando oceanos inteiros. É por isso que as três barras mais curtas deste gráfico aparecem no topo da lista dos mais mortais.
Baía de Lituya, 1958: o tsunami mais alto já registrado
Na noite de 9 de julho de 1958, um terremoto de magnitude 7,8 desprendeu cerca de 30 milhões de m³ de rocha de um penhasco no fundo da baía de Lituya, um fiorde estreito no sudeste do Alasca. A rocha caiu na enseada de Gilbert, e a água deslocada subiu 524 m (1 720 pés) pela encosta em frente, arrancando a floresta até deixar a rocha nua. Continua sendo o exemplo clássico de megatsunami.
Três barcos de pesca estavam ancorados na baía. O Sunmore afundou com Orville e Mickey Wagner. O Badger foi arremessado por cima da restinga e afundou, mas os donos sobreviveram num bote; Howard Ulrich e o filho de sete anos atravessaram a onda a bordo do Edrie. Outras três pessoas morreram na baía de Yakutat. A onda que cruzou a baía em si foi bem mais baixa, de dezenas de metros.
A baía de Lituya já tinha feito isso antes, com run-ups de 120 m em 1853–54 e de 149 m em 1936. E em 10 de agosto de 2025 aconteceu de novo, a menos de 300 km dali: um deslizamento de pelo menos 64 milhões de m³, solto por uma geleira em retração, caiu em Tracy Arm, um fiorde frequentado por navios de cruzeiro ao sul de Juneau. A água subiu 481 m pela parede oposta. Ninguém se feriu, em boa parte porque não havia navios ali às 5h26 da manhã. Com o recuo das geleiras, cada vez mais encostas como essa ficam expostas.
Que velocidade, altura e alcance um tsunami tem
A que velocidade um tsunami viaja?
A velocidade depende quase só da profundidade: v = √(g·d). Sobre 4 000 m de oceano, um tsunami se desloca a cerca de 713 km/h, tão rápido quanto um avião a jato. Sobre a plataforma continental, a 200 m, cai para uns 160 km/h, e em 10 m de água para uns 36 km/h, ainda mais rápido do que qualquer pessoa consegue correr.
Que altura um tsunami pode alcançar?
Em mar aberto, um tsunami costuma ter menos de um metro de altura e centenas de quilômetros de comprimento, tanto que os navios mal o percebem. Na costa, segundo o Serviço Meteorológico Nacional dos EUA, a maioria fica abaixo de 3 m (10 pés), mas os extremos passam de 30 m (100 pés).
Até onde um tsunami avança terra adentro, e que distância ele percorre?
O alcance em terra depende do terreno. Onde há morros perto da praia, mesmo uma onda enorme para em algumas centenas de metros; numa planície, um grande tsunami inunda vários quilômetros terra adentro, como em Sendai, e sobe ainda mais pelos rios. Em oceano aberto, um grande tsunami pode cruzar uma bacia inteira: as ondas de 2004 mataram gente na Somália, a uns 5 000 km do epicentro, e o tsunami chileno de 1960 matou pessoas no Japão, a cerca de 17 000 km de distância.
Quanto tempo dura um tsunami?
As ondas chegam com intervalos de 5 minutos a 2 horas, e o ciclo de inundar, escoar e inundar de novo se repete por horas; o perigo pode durar um dia ou mais. A primeira onda muitas vezes não é a maior. Depois do terremoto de Arica, em 1868, o mar continuou avançando e recuando pelo Pacífico por dois ou três dias.
Quando foi o último tsunami?
Tsunamis pequenos acontecem a cada poucas semanas: o banco de dados da NOAA lista mais de vinte só em 2025, a maioria com poucos centímetros de altura. Os mais notáveis dos últimos anos, até setembro de 2026:
- Mindanao, Filipinas, junho de 2026. Um terremoto M7,8 produziu run-up de cerca de 2,5 m.
- Tracy Arm, Alasca, 10 de agosto de 2025. O megatsunami de deslizamento de 481 m descrito acima.
- Kamchatka, 29 e 30 de julho de 2025. Um terremoto M8,8, o mais forte em qualquer lugar do mundo desde Tōhoku em 2011, levou ondas de 3 a 4 m a trechos da costa de Kamchatka e inundou o porto de Severo-Kurilsk; levantamentos posteriores encontraram run-up de até 17 m. O Japão mandou cerca de 1,9 milhão de pessoas evacuar, e as ondas chegaram a 1,74 m em Maui. Ninguém morreu pela água: Severo-Kurilsk tinha sido reconstruída em terreno mais alto depois de 1952.
- Península de Noto, Japão, 1º de janeiro de 2024. Um tremor M7,5 causou run-up de até cerca de 11 m.
- Hunga Tonga–Hunga Haʻapai, 15 de janeiro de 2022. A erupção lançou ondas por todo o Pacífico, destruindo vilarejos em Tonga, onde chegaram a cerca de 15 m, e afogando duas pessoas no Peru.
Esta página não é um feed em tempo real; para alertas atuais, consulte os centros de aviso listados abaixo. Para ver o que os visitantes simularam nos últimos 30 dias, abra simulações recentes.
Como sobreviver a um tsunami
- Suba ou afaste-se da costa, a pé. Siga as placas de evacuação para fora da zona de risco. Se não der tempo de sair, suba aos andares mais altos de um prédio alto de concreto armado.
- Não vá olhar. O fundo do mar exposto é a onda tomando impulso.
- Não volte depois da primeira onda. Fique longe até as autoridades declararem que é seguro, o que pode levar muitas horas. Em Severo-Kurilsk, a segunda onda matou quem tinha voltado.
- Num barco, siga as instruções do porto; se já estiver bem ao largo, em água profunda, permaneça lá.
- Prepare-se com antecedência. Descubra se sua casa, hotel ou escola fica numa zona de tsunami, onde está o ponto alto mais próximo e quanto tempo leva a caminhada. Combine um ponto de encontro com a família.
Os alertas oficiais vêm dos Centros de Alerta de Tsunami dos EUA, no Havaí e no Alasca, da Agência Meteorológica do Japão e, no oceano Índico, dos centros regionais da Austrália, da Índia e da Indonésia; localmente, siga a defesa civil do seu país.
Veja até onde uma onda de 10 m entra em Hilo, no Havaí →Perguntas frequentes
Quantas pessoas morreram no tsunami de 2004?
O banco de dados global de tsunamis da NOAA lista 227 899 pessoas mortas ou desaparecidas após o tsunami de 26 de dezembro de 2004 no oceano Índico, cerca de 167 500 delas na Indonésia. É o tsunami mais mortal da história documentada.
Qual foi o maior tsunami já registrado?
O mais alto foi o da baía de Lituya, no Alasca, em 9 de julho de 1958, quando um desmoronamento de rocha empurrou a água 524 m encosta acima. O segundo mais alto foi o tsunami de deslizamento de 481 m em Tracy Arm, também no Alasca, em agosto de 2025.
A que velocidade um tsunami viaja?
Cerca de 713 km/h (440 mph) sobre 4 000 m de oceano, cerca de 160 km/h sobre a plataforma continental e cerca de 36 km/h em 10 m de água. Mesmo perto da praia, é mais rápido do que uma pessoa consegue correr.
Que altura um tsunami pode alcançar?
Em mar aberto, em geral menos de um metro. Na costa, a maioria fica abaixo de 3 m; os maiores tsunamis de terremoto sobem de 40 a 50 m, e tsunamis de deslizamento em fiordes já chegaram a 524 m.
Até onde um tsunami avança terra adentro?
Em costas íngremes, algumas centenas de metros; em planícies, vários quilômetros, e mais ainda ao longo dos rios. Em 2011 a água passou de 5 km terra adentro na planície de Sendai.
Quanto tempo dura um tsunami?
As ondas continuam chegando com intervalos de 5 minutos a 2 horas durante muitas horas, e a primeira muitas vezes não é a maior. Fique no alto até as autoridades declararem que é seguro.
Fontes
- NOAA NCEI: Global Historical Tsunami Database (dados de eventos e run-up)
- USGS: geração do tsunami pelo terremoto M9,1 de Sumatra-Andamão em 2004
- UNESCO-IOC: Sistema de Alerta e Mitigação de Tsunamis do Oceano Índico
- Procedia Environmental Sciences (2014): Smong, sistema de alerta precoce da ilha de Simeulue, Aceh
- Agência Nacional de Polícia do Japão: balanço de danos do terremoto de Tōhoku de 2011
- Mori et al. (2011), Geophysical Research Letters: levantamento da inundação e do run-up do tsunami de Tohoku de 2011
- Programa de Tsunamis da UNESCO-IOC: 22 de maio de 1960, Chile
- USGS: Miller (1960), Giant waves in Lituya Bay, Alaska, Professional Paper 354-C
- USGS: tsunami gerado pelo deslizamento de Tracy Arm em 2025
- Science (2026): A 481-meter-high landslide-tsunami in a cruise ship–frequented Alaska fjord
- Svennevig et al. (2024), Science: A rockslide-generated tsunami in a Greenland fjord rang Earth for 9 days
- UNESCO-IOC: resposta global ao tsunami do terremoto M8,8 de Kamchatka, 29 de julho de 2025
- NOAA National Weather Service: segurança em caso de tsunami