
Eventos reais · Terremoto · 9 de outubro de 2026
Terremoto de 7,7 na península de Azuero, Panamá, em 9 de outubro de 2026
Foto: U.S. Army photo by Pfc. Carolyn Dodge, Public domain, Wikimedia Commons
Um terremoto raso de magnitude 7,7 na falha de Azuero-Soná sacudiu o centro do Panamá em 9 de outubro de 2026. Até 17 de outubro, as autoridades registravam uma morte, 27 feridos e 1.952 casas com perda total.
Dados principais
- Horário
- 9 de outubro de 2026, 17:56 UTC
- Magnitude
- 7,7 (mww)
- Profundidade
- 12,6 km
- Tsunami
- nenhum
- Nível de alerta
- PAGER: laranja
- Coordenadas
- 7.59, -80.77
- Fonte
- USGS
O que aconteceu em 9 de outubro
Às 12h56, no horário local (17h56 UTC), da sexta-feira, 9 de outubro de 2026, um terremoto raso atingiu o subsolo da península de Azuero, no centro do Panamá. O USGS classifica o tremor como Mww 7,7 e situa o epicentro 12 km a oeste-sudoeste de Pitaloza Arriba, a cerca de 12,6 km de profundidade. O número mudou nas primeiras horas: o USGS informou primeiro 8,0 e depois 7,6, até se fixar em 7,7. O Instituto de Geociencias do Panamá e o SINAPROC adotam 7,5, depois de uma estimativa nacional inicial de 7,2.
O tremor foi sentido em todo o país, e o USGS reuniu 1.969 relatos de pessoas que o perceberam. O sistema PAGER do USGS, que estima o impacto a partir de modelos, e não de relatos de campo, emitiu alerta vermelho para perdas econômicas (de 1% a 20% do PIB do Panamá) e alerta amarelo para mortes causadas pelo tremor na versão citada em 9 de outubro. Os níveis mudaram de uma versão para outra; o alerta geral que adotamos é laranja.
Em poucos minutos, o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA emitiu alertas de tsunami para Panamá, Colômbia, Equador, Nicarágua e Guatemala. Mais tarde, o Sistema de Alerta de Tsunami dos EUA cancelou o alerta para o litoral panamenho, e não há registro de danos causados por tsunami.

Danos e vítimas
Uma morte foi confirmada. Elena Barría, de 68 anos, moradora de Macaracas, em Los Santos, ficou gravemente ferida quando uma parede de sua casa desabou. A Caja de Seguro Social confirmou em 14 de outubro que ela morreu num hospital da Cidade do Panamá, como noticiaram a Prensa Latina e outros veículos. De 9 a 13 de outubro, as autoridades não haviam registrado mortes.
Desde 10 de outubro, o SINAPROC contabiliza 27 pessoas com ferimentos leves, número que se manteve nos boletins de 15 e 17 de outubro: 17 em Coclé, 6 em Los Santos, 2 em Panamá Oeste, 1 em Herrera e 1 em Veraguas. Não há desaparecidos registrados oficialmente.
O impacto sobre as moradias é bem maior. O boletim do SINAPROC e do Centro de Operações de Emergência de 17 de outubro (15h10), resumido pela Eco TV Panamá, trazia:
- 7.933 casas avaliadas, com 26.018 pessoas diretamente afetadas
- 1.952 casas com perda total, 4.857 com danos moderados ou parciais e 1.124 com danos leves
- 3.827 pessoas em 55 abrigos ativos
- danos em dez províncias e na comarca Ngäbe-Buglé, com 74% das casas avaliadas em Los Santos e Herrera
Esses números vêm crescendo à medida que as equipes de avaliação chegam a povoados isolados. Em 14 de outubro, o SINAPROC registrava 13.623 pessoas afetadas e 3.696 em 45 abrigos; seu comunicado de 15 de outubro acrescentou 576 escolas e 42 unidades de saúde afetadas. Outro boletim com os dados de 17 de outubro aponta 27.017 afetados, ou seja, o total ainda não está fechado.

Os dados locais completam o quadro. Até 13 de outubro, Herrera somava 498 casas danificadas, 32 deslizamentos de terra e 11 comunidades totalmente isoladas. Veraguas tinha 614 casas danificadas, falta generalizada de energia, água e internet e mais de 2.044 pessoas em 16 abrigos, a maioria em Mariato. Em Coclé, o SINAPROC informou em 11 de outubro 229 residências afetadas, além de seis hotéis, 32 escolas, 10 igrejas, 10 prédios públicos e uma passarela. Equipes de resgate inspecionaram a Catedral de San Juan Bautista, em Penonomé, e parte da torre da Basílica Menor de Atalaya desabou. A CBS News relatou grandes rachaduras em estradas de Veraguas e nenhum dano aos arranha-céus da Cidade do Panamá.

Por que a península de Azuero
O Panamá fica sobre um pequeno bloco chamado microplaca do Panamá. A noroeste, a placa de Cocos mergulha sob ela; a sudeste, é a placa de Nazca que mergulha; e a Zona de Fratura do Panamá, de movimento dextral, perto de 82° O, separa as duas. A leste dessa zona de fratura, a margem sul é sismicamente calma e se deforma sobretudo por movimento lateral, do tipo transcorrente, e não por cavalgamento de subducção.
Esse movimento é absorvido pelo Cinturão de Deformação do Sul do Panamá, com deslocamento sinistral estimado em 20 a 25 mm por ano. A falha de Azuero-Soná é uma importante ramificação desse cinturão, de orientação oeste-noroeste, que atravessa a península; um estudo de 2010 citado por Hubbard e Bradley estimou sua taxa de deslizamento em 5 a 7 mm por ano. O tensor de momento do USGS indica falhamento transcorrente sinistral, e o diretor do Instituto de Geociencias atribuiu o terremoto ao sistema Azuero-Soná. Uma análise de radar por satélite é compatível com uma ruptura quase puramente transcorrente nessa falha entre Tonosí e Mariato, possivelmente estendendo-se a um segmento no mar. Como a ruptura foi rasa, o tremor perto dela foi severo, com intensidade máxima IX na escala de Mercalli modificada (MMI).
Comparações
O terremoto vem sendo descrito como o mais forte no Panamá desde 1882 e o maior já registrado em terra na história do país. O evento de 7 de setembro de 1882, estimado em Ms 7,9 a 8,3, ocorreu no mar do Caribe, perto de San Blas, provocou um tsunami de cerca de 3 m e matou aproximadamente 250 pessoas. Sua magnitude é incerta, e ele pode ter sido maior que o de 2026.
A própria península de Azuero sofreu um terremoto de M6,7 em 1913. A maioria dos outros grandes eventos da região ocorreu perto da fronteira com a Costa Rica ou na Zona de Fratura do Panamá: Ms 7,7 em 1934, M7,4 em 1991 (23 mortes) e Mw 6,2 a 6,5 em Burica, em 2002. O NEIC do USGS disse à Bloomberg que este foi o terremoto mais forte nessa parte do Panamá desde pelo menos 1951.
O que mostra nosso simulador
O HazardSim trata o terremoto como um ponto único em 7,5868° N, 80,769° O e traça zonas circulares de intensidade ao redor dele. O modelo contabiliza 12.543 pessoas em localidades do OpenStreetMap dentro da zona de intensidade 8 (raio de 47 km), 218.382 na zona de intensidade 7 (97 km) e 440.031 na zona de intensidade 6 (186 km). As localidades mais próximas são Llano de Piedra (24 km, intensidade 8,8), Macaracas (29 km, 8,6) e Ocú, Pesé e Tonosí (40 a 41 km, cerca de 8,2).
Esses valores ficam próximos do máximo relatado, de IX na escala MMI, e Macaracas, entre as primeiras da lista, é justamente onde ocorreu a única morte confirmada. O modelo, porém, é simplificado. Uma ruptura transcorrente de magnitude 7,7 se estende por dezenas de quilômetros ao longo da falha, neste caso entre Tonosí e Mariato, de modo que os lugares ao longo dessa linha podem tremer mais do que a distância até o epicentro sugere. Mariato, onde estão muitos dos abrigos de Veraguas, é um exemplo. As contagens também incluem apenas localidades mapeadas, e não as casas rurais dispersas, que representam boa parte das moradias da península.
Réplicas e resposta
Uma réplica de M6,6 ocorreu cerca de duas horas e meia depois do tremor principal, e o USGS também registrou outra, de M5,8, perto de El Cacao. Na noite de 9 de outubro, o diretor do Centro de Operações de Emergência disse à CNN en Español que 147 réplicas haviam sido registradas. Centenas de outras se seguiram.

O governo decretou estado de emergência no sábado, 10 de outubro. Em 16 de outubro, informou ter atendido 22.400 pessoas e 6.800 famílias, com 46 abrigos abertos. Repórteres descreveram pontes e estradas danificadas bloqueando rotas no centro do Panamá, e imagens gravadas em Tonosí mostraram moradores sem água nem luz por mais de um dia enquanto a terra continuava a tremer.
Relatos de Penonomé descrevem o momento do tremor e os danos aos prédios da cidade.

O que o simulador mostra
O simulador converte magnitude e profundidade em intensidade de tremor na escala de Mercalli. Por essa estimativa, cerca de 440.031 pessoas em cidades listadas no GeoNames estavam a até 186 km do epicentro, onde a intensidade chega a VI e objetos soltos caem das prateleiras. A intensidade VIII, capaz de danificar prédios comuns, chega a cerca de 47 km (12.543 pessoas em cidades).
| Cidade | Distância | População | Intensidade (modelo) |
|---|---|---|---|
| Llano de Piedra | 24 km | 1.054 | VIII |
| Macaracas | 29 km | 2.224 | VIII |
| Ocú | 40 km | 3.939 | VIII |
| Pesé | 40 km | 2.565 | VIII |
| Tonosí | 41 km | 1.478 | VIII |
| La Palma | 45 km | 1.283 | VIII |
| Llano Largo | 52 km | 1.013 | VII |
| Agua Buena | 49 km | 1.012 | VII |
É um modelo simplificado, não um relatório de danos. Os efeitos reais dependem do solo, das construções, do relevo e dos detalhes do evento.
Abrir no simuladorFontes
- Dados oficiais: USGS
- GeoNames (CC BY 4.0): geonames.org
- USGS: M 7.7 - 12 km WSW of Pitaloza Arriba, Panama (event page)
- USGS: M 7.7 - 12 km WSW of Pitaloza Arriba, Panama (PAGER)
- Eco TV Panamá: Sismo en Panamá: 1,952 viviendas quedaron con daño total y 3,827 personas siguen en albergues
- SINAPROC: Comunicado Oficial #13
- Prensa Latina: Más de 13 mil personas afectadas y un fallecido por sismo en Panamá
- CNN en Español: Gobierno de Panamá declara estado de emergencia tras el fuerte sismo del viernes, que dejó al menos 27 heridos
- CNN en Español: Resumen de noticias del sismo en Panamá, del 9 de octubre de 2026
- Earthquake Insights (Hubbard & Bradley): Update on the M7.7 earthquake in Panama
- Al Jazeera: Panama earthquake: Tsunami warnings issued after magnitude 7.7 quake
- CBS News / AP: Panama struck by 2 powerful earthquakes, U.S. Geological Survey says
Esta análise foi elaborada com ajuda de IA a partir das fontes listadas abaixo e conferida com os dados oficiais.
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